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sábado, 23 de fevereiro de 2013
Chateação. Agora eu devia estar ouvindo meu ipod dentro do busão, a caminho de Sao Paulo. Imprevistos são sempre possiveis em casas com idosos. Doentes, entao, nem se fala. Se eu viajasse, nao aproveitaria nada, pois ficaria preocupada. Mas ficar aqui tambem me enche de angustia. Geralmente chego bem na hora do almoco em sp. Meu namorado me busca e a gente vai comer as delicias que so existem na capital paulista.
"Ja sou fregues", meu pai disse e riu para a enfermeira quando ela disse seu nome. Ele acordou vomitando e engasgou. Tentou aspirar o ar com dificuldade. A garganta fez um barulho rouco e sofrido. Peguei o telefone e disquei o numero da ambulancia. Mas meu pai falou q nao precisava. Respirou. E voltou a sentir falta de ar. Minha mae decidiu leva-lo ao hospital. Eu, que ja estava com mochila e tenis, peguei so minha bolsa e meus oculos, para dirigir ate o pronto-socorro. E ca estou eu, novamente. Ainda tenho esperanca q meu pai fique bem logo, para eu poder viajar. Sera q estou sendo egoista? Desejando isso, pensando so em mim? Mas tambem nao quero q ele sofra, entao no fim das contas, nao devo estar tao errada em sentir essa pressa, essa ansiesade que parece que vai fazer meu coraçao rasgar o meu peito.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
O abraço da enfermeira
Uma enfermeira estava ajudando meu pai a se levantar da cama para ir embora. Ela perguntou se ele queria abraçá-la para facilitar. Sorrindo, ele disse que sim.
Mais tarde, quando fui contar à minha mãe que uma enfermeira loirona ofereceu ajuda e meu pai aceitou, ele disse rapidinho: "era loira, mas era gorda!". Rimos bastante. Minha mãe, toda orgulhosa, então falou "viu, Mônica, ele só tem olhos para mim!" e meu pai, rindo, concordou.
Uma tarde no hospital (parte II)
Hoje voltamos ao hospital. Antes de contar como foi, preciso dizer qual foi o desfecho da última "novela".
No sábado, ficamos lá das 15h até quase meia-noite. O neurologista chegou depois das 21h, e não às 19h como estava previsto.
Ele nos garantiu que meu pai não teve um AVC e que os exames neurológicos estavam normais para o padrão da doença. No entanto, o exame de sangue apontou para um novo problema: os rins não estão funcionando como deveriam estar. Além disso, indicou a introdução de sonda nasoenteral, para alimenta-lo, já que estava sem apetite há uma semana.
Duas enfermeiras entraram no quarto com a sonda, mas meu pai falou com a voz firme, quase gritando, que não usaria nada e que estava comendo, sim. A enfermeira, então, me falou que não iria adiantar tentar introduzir a sonda, pois pacientes com esse perfil arrancariam na primeira oportunidade.
Fiquei um pouco decepcionada, pois eu estava com a esperança de que a sonda seria a "salvação da lavoura".
Deram um suco para o meu pai e alta, com o trato de comer bem. Caso contrário, a enfermeira viria até nossa casa para colocar a sonda. Na hora de se despedir, meu pai falou um sonoro "tchau mesmo!".
Voltando à tarde de hoje no hospital. Desta vez, fomos para meu pai ser atendido por um nefrologista.
Os novos medicamentos que meu pai começou a tomar no final do ano passado sobrecarregaram os rins, desenvolvendo insuficiência renal aguda.
A vida é irônica. Por um lado, você melhora a depressão e o desânimo, mas por outro, você ferra com os rins.
O nefro, então, suspendeu TODOS os remédios e indicou outros, para o estômago e aumento de apetite. É mais urgente estimular a alimentação, agora.
Semana que vem encontraremos o nefrologista novamente, que pediu para marcarmos uma consulta.
Ah! Meu pai tremeu muito quando a enfermeira foi colocar a agulha do soro. Tadinho, ele estava com tanto medo! Segurei a mão dele e disse q estava tudo bem, logo iríamos para casa.
Ele começou a sentir frio e cobrimos com lençol. Depois de dormir um pouco, acordou reclamando de frio. Fui falar com uma enfermeira, que se lembrou de mim, e nos transferiu para um quarto, mais confortável.
Desta vez, me preparei melhor para o chá de cadeira: levei um livro, ipod, balas e uma bolachinha.
Ainda bem que voltamos para a casa mais cedo desta vez. São quase 18h, meu pai está com uma carinha melhor e já tomou um monte de suco.
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domingo, 20 de janeiro de 2013
Uma tarde no hospital
Ir ao hospital nunca foi um passeio agradavel para ninguem.
Depois de uma semana alimentando-se muito mal, hj resolvi trazer meu pai, com a esperanca de sair do hospital com ele alimentado, nem que seja por sonda nasoenteral.
Estamos a espera de um neurologista de outra cidade, pois a medica do pronto-socorro desconfia que meu pai tenha sofrido um AVC (acidente cerebral vascular).
Ele tem babado um pouco e a medica notou que ele esta com a boca torta. Alem disso, ele tem dado umas "travadas" e parece ficar ausente por um tempo.
Minha mae veio junto, mas voltou para casa. Ela esta bem cansada.
Meu pai ficou com medo de tirar sangue, mas depois falou todo orgulhoso que "nem doeu!".
Agora estamos num quarto, ele em uma cama e um senhorzinho na outra.
Agora pouco o filho dele levou-o para o banheiro. Os dois sairam sem lavar as maos e dar a descarga! Lembro-me que da ultima vez que vim aqui, outro sr foi ao banheiro e fez a mesma coisa.
Sera que eles nao tem consciencia do potencial de se pegar alguma doenca oportunista em um hospital, local cheio de microorganismos resistentes?
Obs: Nao sei usar acentos nesse teclado do celular.
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