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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A doença e a rigidez muscular


A foto acima foi tirada em julho deste ano. 

Até poucos meses atrás, meu pai e eu costumávamos ir a um parque quase todo dia para caminhadas. Caso não fossemos ao parque, costumávamos arrumar programas só para sair de casa mesmo, como ir ao shopping dar uma volta, ir à banca comprar palavras cruzadas e gibis da turma da Mônica (obs: vou escrever um pouco sobre as cruzadinhas uma outra hora), compras no supermercado, mercadão, etc. Até em papelarias a gente ia. O tempo passava rápido. 

Hoje está difícil sair de casa com ele. Os músculos do corpo todo estão cada vez mais rígidos. Nas últimas semanas ele tem ficado bastante inclinado para frente quando senta. Até na hora das refeições, começa sentado retinho e no final vai se curvando até quase encostar a cabeça no prato ou até eu ou minha mãe chama-lo, perguntando se está com sono. E ele sempre foi atento à etiqueta. 

Nos nossos últimos passeios, meu pai não aguentou andar muito, então começamos a ir cada vez menos ao parque. Uma pena, pois ele sempre gostou muito de praticar exercício físico, caminhar, correr, curtir a natureza e respirar ar puro.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Cotidiano: Volta ao Blog, perigos no banho e apoio da família


Após um ano, voltei ao Blog. Faltou coragem. Ânimo. Durante esses 12 meses sem escrever aqui, muita coisa aconteceu. 


Descobrimos que a irmã mais velha do meu pai apresenta a mesma doença. E ambos tiveram uma evolução relativamente significativa. Tanto ela, quanto meu pai, têm incontinência urinária. Estão cada vez mais magros. É a falta de apetite. Não adianta fazer as comidas preferidas, fracionar as refeições, concentrar calorias. Tudo parece ser em vão. O sono aumentou consideravelmente. E a dificuldade em andar só aumenta. Parece que o corpo está ficando rígido. Os movimentos estão limitados. Papai precisa de ajuda para se trocar, para levantar, para tomar banho. 



Banho. O banheiro é um perigo. É preciso ter muito cuidado, pois a queda durante o banho é muito comum nesta idade. Tanto é que, semana passada, meu pai caiu. Graças a Deus, não quebrou nada. Mas tive que chamar a ambulância, pois não conseguia levantá-lo. E fiquei com medo de machuca-lo mais se movimentasse algum membro. Compramos uma cadeira para banho, igual a essa:


Mas ele se recusa a sentar para tomar banho! Ele ainda tem consciência de muita coisa, tanto é que fala "filha, você sabe, eu sei, todo mundo sabe: eu não tenho nada" e insiste que está bem e que deve tomar banho em pé. Mas fico na porta do banheiro, de plantão, só esperando ele terminar ou quase terminar, para entrar e ajudá-lo a se equilibrar, secar o corpo e colocar a roupa. 

No início, logo após sua queda, ele se incomodava mais em me deixar vesti-lo e seca-lo, mas ontem já melhorou um pouco e não sem importou muito em me deixar colocar a cueca, trocar quando ficava sujo, etc. É preciso pedir com jeitinho para ajudá-lo, ter paciência e compreensão, pois temos que entender que não deve ser nada fácil para meu pai deixar sua própria filha trocá-lo.

Deu um certo desespero de saber que, a partir de agora, meu pai está bem mais dependente de mim. Pensei que esse dia demoraria mais a chegar. Apesar dele ser magrinho, sinto um pouco de dificuldade em carrega-lo. Espero que consiga superar mais esta etapa da doença e espero conseguir proporcionar bons momentos para meu querido pai, que semana que vem completa 63 anos. 

Conto com o apoio da minha mãe, dos meus irmãos, namorado e amigos. Se não fosse por eles e pela terapia, acho que já teria desistido de tudo.