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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O apetite está de volta! Mas a agressividade também...

Finalmente posso dizer, com muita alegria, que meu pai voltou a se alimentar bem. Está comendo em todas as refeições e aceitando frutas de sobremesa na maior parte das vezes. 

Durante o dia, ele mesmo abre um pacote de bolacha doce e come algumas unidades. Ou vai até a geladeira e pega um suco ou refrigerante. Até canudo ele pegou no armário. Inclusive, me serviu um guaraná com canudo no meio da tarde, dizendo: "só tomei um pouquinho, hehehehehe, tudo bem né?". E eu, claro, respondi que não havia problema algum.

É um alívio não precisar mais insistir para ele comer. Ao mesmo tempo, sinto medo dele voltar a perder o apetite e a "esperteza" a qualquer momento, como já aconteceu antes. 

Por um lado, ele está bem melhor, mais ativo, com iniciativa e até questionador. Pediu para usar o computador e quis ajuda para acessar email, atitude que não tinha desde o inicio do ano passado.

Por outro lado, seu lado agressivo também voltou a ativa. Por qualquer motivo ele grita, xinga, fica nervoso.

Em certo momento, comentei que estava passando filmes bem legais na televisão e ele olhou pra mim com aqueles olhos arregalados e gritou o mais alto que pode: " então pra que você alugou filme?". Fiquei quieta, chateada.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Lucidez, Abstinência, Tremor e Temor


- Medo.
- Medo de que, paizinho?
- Não sei... Mas eu sinto muito medo. Eu já tentei. Já tentei de tudo. Não adianta. Não adianta...
- O que não adianta, paps?
- Nada adianta. Eu já tentei. Tenho muito medo e não sei por quê.
- Não precisa ter medo, paizinho querido... eu tô aqui... tá tudo bem...

Meu pai e eu tivemos esse diálogo praticamente todos os dias nas últimas semanas.

Parece que são momentos nos quais ele tem uma certa noção do que está se passando, de que está doente. Às vezes ele diz "eu tô quase bom!" e sorri. Em outras, ele chora e lamenta "eu não aguento mais". Eu, que já sou chorona por natureza, choro junto, todas as vezes.

Nunca tinha visto meu pai chorar na vida. Agora essa cena tem sido cada vez mais frequente, o que me deixa muito agoniada. Ainda não me acostumei. Será que é possível se acostumar com o sofrimento dele? Do jeito que eu sou, acho pouco provável.

Já faz 2 semanas que meu pai não toma nenhum remédio. Os efeitos que surgiram foram tanto positivos quanto negativos:

Um dos efeitos positivos: ele voltou a se alimentar direito. Começou aos poucos, apenas aceitando frutas (manga, melão, melancia e uva sem semente). Está mastigando e engolindo bem, sem a dificuldade que apresentava em janeiro. 

Naqueles dias em que meu pai não tinha apetite, quando se recusava a comer ou a beber qualquer coisa, eu ficava extremamente agoniada, com uma vontade imensa de rasgar (bem rasgadinho) o meu diploma de nutricionista. Era uma sensação de impotência que me deixava numa angústia sem fim. 

Um dos efeitos negativos: há uma semana, meu pai iniciou um tremor nas mãos durante a noite. Mal conseguia segurar o garfo. Ele ficou nervoso e ansioso, por não conseguir controlar suas mãos. Chegamos a pensar em leva-lo ao hospital, mas já se passava da meia-noite e estávamos tão cansadas que preferimos esperar o dia seguinte para ligar para o médico que, por sinal, está de férias e ainda não retornou nossa ligação. 

Outros pontos positivos: voltou a acordar cedo e a ter (breves) momentos de lucidez, com iniciativa para realizar atividades sozinho. Por alguns instantes - de vez em quando minutos à (poucas) horas - ele fala normalmente e anda como antigamente, sem "travar" e sentir aquele medo de cair, ou sussurrar. Vai até a cozinha sozinho, abre a geladeira (incrível) e serve-se de suco, refrigerante ou água, com bolachas ou pão com polenguinho. Abre seu armário, pega uma blusa e veste-se sozinho. Coloca a fralda sem ajuda. Escova os dentes direito. E diz "Mônica, eu não aguento mais ficar sem fazer nada". Ah! E parou de babar.

Não estou encorajando ninguém a parar de tomar seus remédios, pois são receitados por médicos devido a muitos estudos, que comprovam seus efeitos desejados. Mas até que ponto os medicamentos ajudam ou atrapalham com seus efeitos colaterais? 

Meu pai parece bem melhor sem os remédios, está menos "dopado". Só que está sofrendo com sua consciência, também. Então fica difícil saber o que fazer, principalmente porque não estamos conseguindo falar com o neurologista! O nefrologista já proibiu de voltar a tomar tudo antes de refazer todos os exames e verificar se os rins melhoraram. 

Dr. Vitor Tumas, volte de suas férias logo

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Sobre a doença: Sintomas da doença de Pick

Alguns sintomas da doença de Pick são:


1) Mudanças no comportamento. As pessoas com doença de Pick, muitas vezes lutam para manter seu emprego, mas tem perda de iniciativa em situações  do cotidiano.

2) Isolamento. Aos poucos, as pessoas com doença de Pick se isolam. Comportamentos sociais inadequados podem ocorrer.


3) Má higiene pessoal, aumento ou redução do apetite, diurese noturna, comportamento social inadequado e perda progressiva da capacidade de autonomia.


4) Mudanças emocionais bruscas. De tempo em tempo pode ir da euforia à depressão. Há uma diminuição significativa nas atividades que antes geravam prazer e as atividades do dia-a-dia. As pessoas com doença de Pick também têm dificuldade em considerar os sentimentos dos outros.


5) Dificuldades de linguagem. Há uma diminuição notável na capacidade de ler e escrever e também há dificuldade em encontrar a palavra certa de acordo com a situação. Conforme a doença progride, maior dificuldade em falar e entender o que os outros dizem. O vocabulário vai diminuindo e há repetição de palavras comuns.


6) Perda de memória. Este sintoma aumenta com o avanço da doença. Também é comum que exista desorientação espacial.


7) Dificuldades de movimento e coordenação. Parece desajeitado quando em pé, segurando objetos. Dificuldade em mover os braços e as pernas. Rigidez muscular.