sexta-feira, 1 de março de 2013

Suco de laranja matinal

Todos os dias ofereço suco de laranja no café da manhã para o meu pai. Nem sempre ele aceita.

Geralmente espremo 4 laranjas, pois já aproveito para fazer suco para minha vó que,  por sinal, sempre aceita tudo que ofereço.

Para ela, que está um pouquinho acima do peso, só coloco 2 pedrinhas de gelo e mais nada. Para o meu pai, aproveito para colocar, no mínimo, 1 colher de sobremesa de açúcar, para aumentar o valor calórico. E muito gelo. 

Ainda pergunto se ele quer açúcar, pois falo (uma mentirinha boba) que o suco é natural.

Entupiu? Chame a mamãe!

Teve uma fase em que meu pai estava com um (péssimo) hábito de entupir o vaso sanitário. 

A gente não sabia direito o que ele fazia, pois a vazão do vaso era boa e nunca entupiu antes.

Depois, descobrimos que ele jogava um monte de papel higiênico e dava a descarga. 

Às vezes parecia que meu pai fazia isso por diversão, para ver minha mãe malucona e desentupindo o vaso.

Ainda bem que ele parou de "brincar". 

Takenoko



Minha prima nos mandou de presente um monte de takenoko, um tipo de bambu que usamos na culinária japonesa.

Meu pai viu o tamanho da panela e a quantidade de takenoko cozinhando e disse:

- vamos comer até fazer bico!

Rimos até não poder mais.

Bacalhau não tem coxinha

No almoço, lembramos das famosas coxinhas douradas de Bueno de Andrada. 

Estava relembrando os sabores variados, como coxinha de frango tradicional, coxinha de frango com catupiry, coxinha de bacalhau... Quando meu pai me interrompeu e disse:

- Bacalhau não tem coxinha! 

E concordamos, dando muita risada.

Crocs, o sapato lindo


Quando vi um par de Crocs pela primeira vez, achei a coisa mais feia e deselegante do universo. Pensei: "NUNCA vou usar algo tão terrível assim! Não há conforto que justifique tamanho mal gosto". Nunca diga nunca.

Uma vez, em 2010 ou 2011, vi minha tia avó usando um roxo, bem indiscreto, para passear. E pareceu-me muito confortável e prático.

Comecei a simpatizar com o Crocs e reparar na quantidade de pessoas que usam - tá, muitas crianças e adolescentes, mas também vi gente como a gente! rs.

Um belo dia, resolvi experimentar. Adorei no momento em que calcei. 

No natal do mesmo ano, meu namorado me presenteou com um lindo par de Crocs e, ainda, aproveitou para comprar outro par para seu pai, que poderia usar dentro de casa, com meia no inverno.

Inicialmente, pensei em usa-lo apenas dentro de casa. Depois, fui me acostumando com o visual e agora uso para ir a faculdade, padaria, farmácia, etc. 

Quando meu pai me viu usando pela primeira vez, fez uma cara de desaprovação e disse "que sapatinho mais horroroso! Ridículo!".

E sempre que saíamos de casa e eu estava usando meu novo sapato, meu pai repetia "ridículo esse seu sapatinho! feio! horroroso!" e eu ria, provocando-o dizendo que iria comprar um igualzinho para ele, o que resultava em muita risada e a resposta de sempre: " pode comprar, não vou usar".



Datena


Meu pai sempre achou programas como o Brasil Urgente, Ratinho e cia desprezíveis. Assim como ele, nunca fui fã de programas sensacionalistas, repetitivos e exploradores de sofrimento alheio. Mas gosto não se discute.

Durante um bom tempo, meu pai assistiu ao programa do Datena diariamente. Quando estava chegando o horário de começar o Brasil Urgente, meu pai falava "uuuuuhhh, tá na hora de ver as notícias do povo!". E mudava de canal - de vez em quando me perguntava qual era a emissora do Datena.

Atentamente, ouvia e ria de muitas notícias trágicas. Eu, que fazia companhia, acabava rindo também, de tanta desgraça que aparecia.

O mais engraçado era rir dos comentários do Datena. Até comecei a simpatizar com ele - antes, achava-o "intragável". 

Meu pai imitava-o, falando os jargões do apresentador, como "ladrão de lixo", "paspalho", "babacas", "me ajuda aí", "porrada", "ibagem" etc. Também imitava alguns repórteres, fazendo graça de sotaques cariocas ou modo de falar (ele falava "amigosssssss", "baiiiixa aí", "éeeeeeeeeeeeeee")

No início, lembro-me que tanto minha mãe quanto eu, ficamos preocupadas com o tipo de notícia que meu pai estava vendo. Depois de algumas semanas, ficamos tranquilas. Isso não fazia mal nenhum a ele. Se aquilo estava divertido, era o que importava.




Meu pai cortou as unhas. Sozinho.

Hoje meu pai cortou as unhas das mãos sozinho! E deu uma lixadinha no final, como antigamente. Fiquei bem contente.

Lembro-me da primeira vez que fui cortar as unhas dos pés dele. Até foto com o celular ele tirou de mim, enquanto aparava as garras.

A tarde consegui passear um pouco com ele. Antes de sairmos, ele me pediu ajuda para procurar seu chaveiro e sua carteira. 

O chaveiro está escondido, pois tememos que ele saia de casa sem notarmos. Falei que deveria estar em algum bolso de alguma calça ou casaco e que era melhor procurar com calma mais tarde. 

A carteira, que meus irmãos e eu demos de presente quando viajamos, estava em cima da escrivaninha. Mas ele disse que aquela era velha. A nova era mais escura e tinha os cartões de crédito dele. Nessa hora "gelei". Essa já é a mais nova, mas como ele acabou dormindo sem querer com ela no bolso, acabou molhando o couro e ressecando-o, tornando a aparência um pouco deteriorada.

Fomos ao mercado, comprar algumas frutas e legumes. Ele me ajudou a carregar a sacola de alface e maçã. 

Ao chegar no carro, que estava estacionado no sol, ele falou que as compras iriam estragar, pois estava muito quente. Para tranqüiliza-lo, respondi que ficariam no porta-malas pouco tempo, já que nossa casa estava perto.